terça-feira, 11 de abril de 2017

Falta de educação ou excesso de estresse: Passageira é humilhada dentro de ônibus em São Luís

A rotina de trabalho, engarrafamentos, problemas familiares, entre outros fatores contribuem para o aumento do nível de estresse de qualquer pessoa, principalmente em profissões como os motoristas de ônibus urbano, que são submetidos em diversas situações como trânsito, horários e tabelas apertadas para cumprir, falta de estrutura nos pontos finais, passageiros nervosos e assaltos, sem contar os veículos velho e a falta de capacitação adequada para tratar pessoas, que quase não é oferecida pelas empresas.

O nível de estresse e a falta de capacitação são tão grandes, que motoristas e passageiros chegam ao extremo em algumas ocasiões na Capital. Na tarde desta terça-feira (11), uma usuária do transporte público da Região Metropolitana de São Luís foi humilhada pelo motorista do ônibus 22-018, da empresa Marina, linha Tropical/São Francisco.

A passageira pediu parada em frente ao Supermercado Mateus, na subida da Avenida Cajazeiras, no Centro de São Luís, mas o motorista não parou alegando que aquele lugar não era ponto de ônibus. Ela solicitou a parada por várias vezes e pediu em alta voz para o rodoviário parar na parada seguinte, em frente Hospital Socorrão I. O condutor a ameaçou dizendo: “você puxar essa cordinha, eu vou deixar você lá em baixo” – no Parque do Bom Menino. E assim ele fez, passou do ponto em frente ao hospital, acelerou e não parou mais, começando uma longa discussão com troca de agressões verbais. (Veja o vídeo)
Segundo o motorista, essa atitude foi tomada porque a passageira teria ameaçado de agredi-lo com um guarda-chuva. A usuária conta que todos os dias quando vai à igreja ela desembarca naquele ponto, por isso solicitou a parada, que não foi obedecida pelo condutor.

Existem vários fatores quem devem ser analisados em um fato como este. O motorista tem o dever de parar no ponto que é solicitado e não decidir onde o passageiro vai descer. Outro detalhe a ser questionado é a capacitação dada pela empresa e a condição de trabalho que é imposta ao funcionário e o nível de estresse causado pela profissão.  

Uma pesquisa publicada no site especializado em carreiras, Adzuna, revelou que o ofício é considerado a pior profissão no país. O estudo levou em consideração a relação entre fatores como remuneração, nível de estresse, pressão no trabalho, riscos de acidentes, assaltos e doenças trabalhistas e até mesmo a relação com as empresas, além das possibilidades de crescimento na carreira.

Enquanto existem poucas empresas de ônibus em São Luís que realizam treinamentos de qualificação profissional, eventos sobre saúde e bem estar e respeitam cargas horárias, outras permitem que o motorista extrapole sua jornada, não realizam manutenção nos veículos, o que causa desgaste do profissional, se contar a baixa remuneração, que todos os profissionais do sistema de transporte recebem.

O medo ações criminosas é um dos fatores que mais traz prejuízos psicológicos a motoristas. O número de assaltos aumentou no primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado em São Luís, sendo 225 neste ano e 153 ações registradas em 2016, conforme dados divulgados pelo Sindicado dos Rodoviários.

Mediante a isso, cabe questionar de quem é a culpa do comportamento do motorista da Empresa Mariana em relação a usuária do transporte público, que também trabalha e paga a tarifa para poder se beneficiar do serviço como qualquer cidadão. Os empresários devem trabalhar tanto na capacitação profissional como na prestação de serviços oferecida à população.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Mobilidade Urbana MOB, e a Prefeitura de São Luís, poder meio da SMTT, são obrigados a analisar o caso, punir os responsáveis e não permitir que a população seja humilhada no transporte, que não é público, oferecido por empresários, que ditam as regras neste sistema que tanto fatura, sem oferecer condições confortáveis e dignas aos ludovicenses. Contudo nada justifica a atitude irresponsável do motorista em relação à passageira.

Um comentário:

  1. O motorista errou porque não atendeu a parada solicitada mas também ela não é santa não pois se ouve bem claro o tanto que o motorista foi insultado

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