Dois carnavais em 2020

 

Campanha Política de 2020 em alguma cidade do interior do Maranhão. A foto está sem qualidade e a cidade não é citada para não cometer injustiça.  

Tudo começou às 0h de uma quarta-feira, as taças levantadas e os fogos no céu marcaram a chegada de uma nova década, 2020. Naquela noite choveu onde eu estava por volta de umas 5h, era uma confirmação de sorte. Acredito que o ano que começa com chuva vai ser bom.

No começo estava uma maravilha, novos projetos, novos pensamentos, nova meta de perder peso. Amanheceu o dia e logo veio o primeiro grito de Carnaval. Como bom maranhense logo som do Bicho Terra foi parar na caixa de som e o que eu mais queria era que a cidade pegasse fogo, mas fogo de amor, como diz a música do grupo.

Chegou fevereiro e eu atravessei a Ponte do São Francisco andado debaixo de pé d’água danado. Objetivo era curtir o Carnaval na Beira Mar, pense numa maravilha.

Tudo acaba e a rotina volta, a missão era acordar cedo, pegar o ônibus e trabalhar. A vida normal durou mesmo de um mês, porque a notícia de um vírus novo se espalhou tão rápido quanto ele.

A vida muda e eu fico três meses trancado dentro de casa trabalhando, comendo, assistindo lives e tomando cerveja. A última coisa que vi foram os noticiários, mas na parte que assisti via o número de casos e de mortos crescerem.

A política do Brasil entrou em um turbilhão, porque um caso de saúde pública virou ato político. “Fica em casa”, “use máscaras”, “é só uma gripezinha”, “e daí”, “não sou coveiro” e outras tantas frases ficaram famosas nesses meses estranhos.

Muitos políticos usaram suas redes, com exceção do presidente do Brasil, para pedir que todos seguissem as regras da Organização Mundial da Saúde. Uma bela atitude tomada por eles e até as eleições mudaram de data.

Depois de sete meses daquele fatídico dia que a “Terra Parou”, o Carnaval começou de novo. Desta vez, as músicas que embalam não são as do Bicho Terra, mas as grandes produções como o “Homem disparou”; “O passinho de tal número”; “É 34, É 34, É 34”; “Pula, pula, pula pro lado de cá”; “Bambu tá gemendo, o bambu tá gemendo”. Elas tocam nos paredões dia e noite. 

Campanha Política de 2020 em alguma cidade do interior do Maranhão. A foto está sem qualidade e a cidade não é citada para não cometer injustiça. Duas fotos são suficientes para mostrar o que o texto diz.

A folia está na rua na capital e no interior do Maranhão. Centenas de pessoas se misturam para declarar apoio ao candidato na Carnaval da Eleições. Tem ato que rola até cerveja de graça, mas não vou me ater a esse fato senão negada chora.

Tudo o que foi feito em sete meses será desfeito em 45 dias. O ser humano tem a aglomeração como necessidade básica, mas os mesmos políticos que fizeram o “fica em casa” estão fazendo o “vem pra rua”.

Não estou de dizendo que não saio de casa, vou até para o bar. Mas é uma hipocrisia deslavada o que acontece em São Luís, no interior do Maranhão e no Brasil. Pessoas saem de suas casas para andar do lado de cidadão que vai sumir pelo próximo quatros anos, pode ser que ele apareça em dois, se for ambicioso.

O Carnaval que acontece agora vai trazer sérias consequências lá na frente, seja por uma segunda onda de um vírus que ninguém sabe como lidar, como um mau gestor que vai sumir e aparecer só no próximo Carnaval Eleitoral.

O que falta para nós é a análise das propostas, dos argumentos, da ficha e do que o candidato pode oferecer de bom.

Vai chegar a hora da gente ir para o Carnaval! Agora não é hora de ir para rua gritar por alguém que vai te esquecer em janeiro.

De fato, precisamos de alento e quem sabe de um ano inteiro de festa para tentar esquecer 2% do legado que 2020 deixará. Mas a saída não é correr atrás de candidato, deixa que ele vai correr atrás de você.

Que o Bicho Terra volte a tocar, que o mundo volte ao normal e que os políticos mudem para melhor.

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